“O universal é o local sem paredes.” (Miguel Torga) "Escrever é um ato de liberdade." (Antônio Callado) "Embora nem todo filho da puta seja censor,todo censor é filho da puta." (Julio Saraiva)

sábado, 6 de fevereiro de 2010

CAMÕES DE BOTEQUIM

Se, quando não se esquece, a dor se anunciasse,
A  dor de dor se ter na certa nos movesse,
E a falta de doer talvez não mais doesse
Que passe a ser dor em tudo e tudo passe!

Viver-se apaziaguado assim, e sempre nesse
Bem calmo estar-se e ter-se e dar-se apaziguasse!...
Mas se mais paz tivesse eu penso que acabasse
Num desespero mais que aquele que eu tivesse!

Dirão a mim: - Poeta, assim também não pode.
Se tens uma agonia, louva-na numa ode.
E se posto em sossego, num sossego o traga...

E eu direi a quem disser pra mim: - Não fode.
Que o espasmo de um poeta é feito em de dor e chaga
E quem diz que não na própria cabeça caga.

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Paulo César Pinheiro,
Rio de Janeiro, Brasil
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