sexta-feira, 18 de maio de 2012
POR SOB O SOL...
por sob o sol
minha sombra caminha
ao teu encontro
por sob o mesmo sol
que envolve e aquece o teu corpo
a certeza de amanhã tornar-me ao pó
já não me incomoda tanto
18-05-12
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Júlio Saraiva
São Paulo, Brasil
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quinta-feira, 17 de maio de 2012
SONETO MALCRIADO
não - não me peçam mais poemas de amor
respeitem meus versos desesperados
tão mal sucedidos esculhambados
por deus me façam este grande favor
deixem-me mudo com os meus palavrões
pois é deste jeito que eu me sinto bem
a poesia que faço é puro desdem
as palavras doces enchem-me os culhões
basta-me apenas o ar que respiro
de uma vez por todas foda-se o resto
que importa saber se presto ou não presto?
não sei escrever... apenas atiro
no fim da briga saio são e salvo
dane-se aquele que errou o seu alvo
17-05-12
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Júlio Saraiva
São Paulo, Brasil
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terça-feira, 15 de maio de 2012
NA ESCURIDÃO
na escuridão o poema não dói tanto
a luz machuca o poema
provoca uma dor de faca afiada
e o sangue não estanca nunca
na escuridão as palavras parecem mais calmas
mesmo na dor são felizes
como aquele cego que tocava cavaquinho na praia
compunha marchinhas de carnaval
e mesmo sem poder ver a folia
enxergava melhor do que todos nós
15-05-12
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Júlio Saraiva
São Paulo,Brasil
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SUGESTÃO PARA MAIS TARDE
nem licor de amora
e nem amaretto
chá de capim santo
com cianureto
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Júlio Saraiva
São Paulo, Brasil
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BALADA DO TEMPO PERDIDO
- Para Cristiane
no tempo dos meus aniversários
- e aí já vai tanto tempo
eu brincava de ser alegre
disfarçava esta cara amarrada
dava um pontapé na gramática
e chorar não chorava
no tempo dos meus aniversários
minha mãe me trazia carinhos
meu pai me chamava de anjo
minha avó que era mãe da minha mãe
me amava em silêncio
como se eu fosse uma história
com um final bem feliz
e por isso não tinha final
no tempo dos meus aniversários
que eu já não me lembro quando
eu vivia tão distraído
tão longe das coisas do mundo
que um dia meu bem num segundo
me vi morto na contramão
no tempo dos meus aniversários
eu juro meu bem eu juro
eu não era assim tão cansado
14-05-12
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Júlio Saraiva
São Paulo, Brasil
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MANHÃ
queria escrever um poema de amor
nesta manhã nublada
qualquer poema de amor
mas perdi a chave de casa
e com ela o rumo das palavras
na falta do que fazer
dobro a esquina às seis e quinze da manhã
entro no bar
e peço uma bebida forte
14-05-12
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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sexta-feira, 11 de maio de 2012
DIA DAS MÃES
- para aquelas que embalam seus filhos mortos
suspiro de mulher cansada
na solidão nublada do quarto
um berço imaginário e vazio ao lado da cama
um choro feito de silêncio - e só
ardendo bem lá no fim-do-mundo da memória
lágrimas deixaram de ser lágrimas
mas o tempo impiedoso insiste
em traze-las de volta - sempre...
de que serve o poema nessas horas?
11-05-12
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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suspiro de mulher cansada
na solidão nublada do quarto
um berço imaginário e vazio ao lado da cama
um choro feito de silêncio - e só
ardendo bem lá no fim-do-mundo da memória
lágrimas deixaram de ser lágrimas
mas o tempo impiedoso insiste
em traze-las de volta - sempre...
de que serve o poema nessas horas?
11-05-12
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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