Adélia, empresta-me um pouco
Teus olhos muito vivos
E teus cabelos brancos desgrenhados
Pra que eu me lave todo
Da sujeira dos meus pecados.
Adélia, empresta-me um poema,
Que eu aqui me vou tão velho.
Empresta-me um pouco da tua igreja,
Do contrário no céu eu não entro.
Dá-me tuas mãos, Adélia,
Cheirando a verso e coentro.
Dá-me um toque de sinos
E tua pureza de anjo.
Dá-me um dedo de poesia
Depois, por mim mesmo, me arranjo.
Empresta-me o fogo doido,
Que arranca o pecado do mundo.
Empresta-me teus santos altares
Pra que eu volte à meninice,
Quando ainda eu cria nos santos.
(Só não briga comigo não, Dona Doida,
Que a vida não me dá mais encantos.
Não demora me vai em segundos,
Náufraga em meu mar de prantos.)
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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