as pombas da praça da sé falam
um silêncio alto mas só as pedras
da catedral conseguem ouvir
as pedras da catedral da sé relembram
para as pombas histórias de um tempo
nublado que trazem vivas na memória
ao anoitecer as pombas da praça da sé
ficam tristes como as mulheres que perderam
o paradeiro de seus maridos e filhos
as pedras da catedral da sé consolam as pombas
recitando trechos de missas antigas
as pombas respondem amém choram um pouco
e vão dormir enquanto a catedral permanece
acordada em sua eterna vigília
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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domingo, 19 de fevereiro de 2012
POEMA PARA CRISTIANE
meu amor tem um sorriso triste
feito de alguma
qualquer uma
perdida madrugada
tem flauta doce nos lábios
música que não sei entender
tem primaveras nas mãos
cheiro de alecrim nos cabelos
tem nos olhos um poema de amor
que eu nunca vou escrever
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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feito de alguma
qualquer uma
perdida madrugada
tem flauta doce nos lábios
música que não sei entender
tem primaveras nas mãos
cheiro de alecrim nos cabelos
tem nos olhos um poema de amor
que eu nunca vou escrever
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
RABISCO
desenhei
uma tarde de sol para
enfeitar
os teus caminhos
logo
ao pôr-da-chuva
limitado
artista que sou
não demorou o sol
sumiu
e a noite
desabou escura
sobre o branco do papel
imaginário
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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uma tarde de sol para
enfeitar
os teus caminhos
logo
ao pôr-da-chuva
limitado
artista que sou
não demorou o sol
sumiu
e a noite
desabou escura
sobre o branco do papel
imaginário
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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terça-feira, 31 de janeiro de 2012
CAMINHANDO PELA RUA ADONIRAN BARBOSA
caminho com as mãos nos bolsos
pela rua adoniran barbosa
na verdade não é uma rua
mas um beco estreito
com casas geminadas
de uma outra época
quase todas com um pequeno jardim na entrada
a rua adoniran barbosa tem uma alegria triste
caminho com as mãos nos bolsos
assobiando um samba de adoniran barbosa
a alegria triste da rua
vem acariciar meu rosto
sou um homem antigo que perdeu a pressa
o tempo passa por mim sem que eu o perceba
o tempo agora é o que menos me interessa
chega uma hora que a gente não vive
apenas se repete
31-01-12 - madrugada
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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pela rua adoniran barbosa
na verdade não é uma rua
mas um beco estreito
com casas geminadas
de uma outra época
quase todas com um pequeno jardim na entrada
a rua adoniran barbosa tem uma alegria triste
caminho com as mãos nos bolsos
assobiando um samba de adoniran barbosa
a alegria triste da rua
vem acariciar meu rosto
sou um homem antigo que perdeu a pressa
o tempo passa por mim sem que eu o perceba
o tempo agora é o que menos me interessa
chega uma hora que a gente não vive
apenas se repete
31-01-12 - madrugada
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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domingo, 29 de janeiro de 2012
SONETO DE UMA MADRUGADA VAZIA
só quero descansar meu desconforto
no azul-escuro desta madrugada
e provar a sensação de estar morto
no colo de qualquer alma penada
que venha de drummond o anjo torto
e pela mão conduza-me à entrada
do purgatório que há de ser o porto
abrigo de uma vida desregrada
preciso colocar no esquecimento
as três mil e tantas coisas que não fiz
sentir a paz de um frade no convento
fingir que a sorte passou no meu nariz
tocar o barco sem constrangimento
se amanhã eu acordar mais infeliz
29-01-12
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Júlio Saraiva
São Paulo, Brasil
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no azul-escuro desta madrugada
e provar a sensação de estar morto
no colo de qualquer alma penada
que venha de drummond o anjo torto
e pela mão conduza-me à entrada
do purgatório que há de ser o porto
abrigo de uma vida desregrada
preciso colocar no esquecimento
as três mil e tantas coisas que não fiz
sentir a paz de um frade no convento
fingir que a sorte passou no meu nariz
tocar o barco sem constrangimento
se amanhã eu acordar mais infeliz
29-01-12
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Júlio Saraiva
São Paulo, Brasil
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sábado, 28 de janeiro de 2012
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
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