minha casa é triste mas tão triste
que até a tristeza passa longe dela
além de mim e dos meus livros
só o vazio habita nela
a moça que na casa havia
fugiu levando a janela
o currupião que cantava
de tédio se estrangulou
meu resto de alegria
a chuva brava levou
minha casa é pobre mas tão pobre
que são francisco de assis
ao ver tamanha pobreza
olhou seu roto burel
achou que era traje de riqueza
e pediu perdão a deus do céu
minha casa é pequena mas tão pequena
que a pequenez viu-se grande
bem maior do que um gigante
e sentiu tamanha agonia
ao perceber que na minha casa
sua pequenez mal cabia
minha casa é triste mas tão triste
minha casa é pobre mas tão pobre
minha casa é pequena mas tão pequena
que eu nem sei mais se ela existe
porque sua pouca existência
é esta toda que me cobre
é esta que me envenena
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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sábado, 3 de setembro de 2011
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
2 POEMAS RELÂMPAGOS
NOVA CARTILHA
onde ivo
via
a uva
hoje ovídeo
vê
o vídeo
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CARTAZ PARA O DIA DOS NAMORADOS
amor é rasgo
amor é risco
amor é sempre
o mesmo disco
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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onde ivo
via
a uva
hoje ovídeo
vê
o vídeo
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CARTAZ PARA O DIA DOS NAMORADOS
amor é rasgo
amor é risco
amor é sempre
o mesmo disco
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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sábado, 20 de agosto de 2011
SONETO DE CRISTIANE
teus olhos me falam todas as luzes
e teus passos guiam os meus caminhos
afastas o peso das minhas cruzes
com o leve roçar dos teus carinhos
e assim se eu me perco tu me conduzes
não vou no rastro dos que vão sozinhos
enfrento as balas de mil arcabuzes
se tenho teu beijo esqueço dos vinhos
se nos meus olhos havia neblina
vai-se num átimo toda cegueira
o velho que sou curva-se à menina
o mundo meu bem de vez que se dane
que sejas minha pela vida inteira
o resto se ajeita cris - cristiane
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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e teus passos guiam os meus caminhos
afastas o peso das minhas cruzes
com o leve roçar dos teus carinhos
e assim se eu me perco tu me conduzes
não vou no rastro dos que vão sozinhos
enfrento as balas de mil arcabuzes
se tenho teu beijo esqueço dos vinhos
se nos meus olhos havia neblina
vai-se num átimo toda cegueira
o velho que sou curva-se à menina
o mundo meu bem de vez que se dane
que sejas minha pela vida inteira
o resto se ajeita cris - cristiane
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011
CARTA, QUASE POEMA PARA ANTÓNIA RUIVO, MINHA AMIGA
hoje
e bem hoje amiga
eu não devia escrever nada
mas falta-me o sono
palavra que tenho não vale o poema
e a voz se me vem
sai engasgada
porém acho guardados nas prateleiras
os poetas que mais gosto
passam por mim drummond e bandeira
passa a sophia
com aqueles olhos tão lindos
que por si só já eram poesia
passa a alegria
passa o vinícius
passa o o'neill
ambos imersos em bebedeiras
e passa o torga
e o quintana vem
passa a cecília
passa o gullar
tu passas e a madrugada já vem
só eu nesta vida
é que não passo meu bem
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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e bem hoje amiga
eu não devia escrever nada
mas falta-me o sono
palavra que tenho não vale o poema
e a voz se me vem
sai engasgada
porém acho guardados nas prateleiras
os poetas que mais gosto
passam por mim drummond e bandeira
passa a sophia
com aqueles olhos tão lindos
que por si só já eram poesia
passa a alegria
passa o vinícius
passa o o'neill
ambos imersos em bebedeiras
e passa o torga
e o quintana vem
passa a cecília
passa o gullar
tu passas e a madrugada já vem
só eu nesta vida
é que não passo meu bem
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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A MORTE POR ATAQUE DE DESUSO
trago no bolso de uma calça velha
num guardanapo de papel anotações
para um poema só com palavras mortas
vítimas de ataque de desuso
não sei quando e nem se vou terminar o poema
no entanto todas as madrugadas
levanto-me e vou ao cemitério dos alfarrábios
chorar lágrimas de letras por essas palavras mortas
vítimas de ataque de desuso
toda vez que choro essas palavras mortas
sinto que elas me acenam com mãos de condolências
e eu digo que sinto muito mas deixo como garantia
minha palavra - o poema qualquer dia sai
trago no bolso de trás de uma calça velha
num guardanapo de papel anotações
com palavras antigas que amanhã ou depois
me vão matar também e eu não vou poder fazer nada
a não ser morrer calado por ataque de desuso
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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num guardanapo de papel anotações
para um poema só com palavras mortas
vítimas de ataque de desuso
não sei quando e nem se vou terminar o poema
no entanto todas as madrugadas
levanto-me e vou ao cemitério dos alfarrábios
chorar lágrimas de letras por essas palavras mortas
vítimas de ataque de desuso
toda vez que choro essas palavras mortas
sinto que elas me acenam com mãos de condolências
e eu digo que sinto muito mas deixo como garantia
minha palavra - o poema qualquer dia sai
trago no bolso de trás de uma calça velha
num guardanapo de papel anotações
com palavras antigas que amanhã ou depois
me vão matar também e eu não vou poder fazer nada
a não ser morrer calado por ataque de desuso
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
POEMA DE CONDÃO
crias girassóis em torno da casa imaginária
imaginários também são os animais da casa
assim como imaginária é a vida por aqui
imaginário só não é o ar que respiramos
inventamos uma porção de dias felizes
mas não devemos gastá-los todos
porque amanhã no pé em que as coisas vão
por certo vamos precisar deles - nunca se sabe
é sempre bom estocar um pouco de dias felizes
agora sim podemos caminhar de mãos dadas
pelo jardim da casa onde plantas e pássaros nos esperam
tu me emprestas um pouco do teu sorriso
com o teu sorriso sinto-me mais à vontade
pois então recomecemos a nossa história
na nossa história nada era uma vez
porque na nossa história o tempo não existe
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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imaginários também são os animais da casa
assim como imaginária é a vida por aqui
imaginário só não é o ar que respiramos
inventamos uma porção de dias felizes
mas não devemos gastá-los todos
porque amanhã no pé em que as coisas vão
por certo vamos precisar deles - nunca se sabe
é sempre bom estocar um pouco de dias felizes
agora sim podemos caminhar de mãos dadas
pelo jardim da casa onde plantas e pássaros nos esperam
tu me emprestas um pouco do teu sorriso
com o teu sorriso sinto-me mais à vontade
pois então recomecemos a nossa história
na nossa história nada era uma vez
porque na nossa história o tempo não existe
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Júlio Saraiva,
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