hoje
e bem hoje amiga
eu não devia escrever nada
mas falta-me o sono
palavra que tenho não vale o poema
e a voz se me vem
sai engasgada
porém acho guardados nas prateleiras
os poetas que mais gosto
passam por mim drummond e bandeira
passa a sophia
com aqueles olhos tão lindos
que por si só já eram poesia
passa a alegria
passa o vinícius
passa o o'neill
ambos imersos em bebedeiras
e passa o torga
e o quintana vem
passa a cecília
passa o gullar
tu passas e a madrugada já vem
só eu nesta vida
é que não passo meu bem
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011
A MORTE POR ATAQUE DE DESUSO
trago no bolso de uma calça velha
num guardanapo de papel anotações
para um poema só com palavras mortas
vítimas de ataque de desuso
não sei quando e nem se vou terminar o poema
no entanto todas as madrugadas
levanto-me e vou ao cemitério dos alfarrábios
chorar lágrimas de letras por essas palavras mortas
vítimas de ataque de desuso
toda vez que choro essas palavras mortas
sinto que elas me acenam com mãos de condolências
e eu digo que sinto muito mas deixo como garantia
minha palavra - o poema qualquer dia sai
trago no bolso de trás de uma calça velha
num guardanapo de papel anotações
com palavras antigas que amanhã ou depois
me vão matar também e eu não vou poder fazer nada
a não ser morrer calado por ataque de desuso
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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num guardanapo de papel anotações
para um poema só com palavras mortas
vítimas de ataque de desuso
não sei quando e nem se vou terminar o poema
no entanto todas as madrugadas
levanto-me e vou ao cemitério dos alfarrábios
chorar lágrimas de letras por essas palavras mortas
vítimas de ataque de desuso
toda vez que choro essas palavras mortas
sinto que elas me acenam com mãos de condolências
e eu digo que sinto muito mas deixo como garantia
minha palavra - o poema qualquer dia sai
trago no bolso de trás de uma calça velha
num guardanapo de papel anotações
com palavras antigas que amanhã ou depois
me vão matar também e eu não vou poder fazer nada
a não ser morrer calado por ataque de desuso
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
POEMA DE CONDÃO
crias girassóis em torno da casa imaginária
imaginários também são os animais da casa
assim como imaginária é a vida por aqui
imaginário só não é o ar que respiramos
inventamos uma porção de dias felizes
mas não devemos gastá-los todos
porque amanhã no pé em que as coisas vão
por certo vamos precisar deles - nunca se sabe
é sempre bom estocar um pouco de dias felizes
agora sim podemos caminhar de mãos dadas
pelo jardim da casa onde plantas e pássaros nos esperam
tu me emprestas um pouco do teu sorriso
com o teu sorriso sinto-me mais à vontade
pois então recomecemos a nossa história
na nossa história nada era uma vez
porque na nossa história o tempo não existe
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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imaginários também são os animais da casa
assim como imaginária é a vida por aqui
imaginário só não é o ar que respiramos
inventamos uma porção de dias felizes
mas não devemos gastá-los todos
porque amanhã no pé em que as coisas vão
por certo vamos precisar deles - nunca se sabe
é sempre bom estocar um pouco de dias felizes
agora sim podemos caminhar de mãos dadas
pelo jardim da casa onde plantas e pássaros nos esperam
tu me emprestas um pouco do teu sorriso
com o teu sorriso sinto-me mais à vontade
pois então recomecemos a nossa história
na nossa história nada era uma vez
porque na nossa história o tempo não existe
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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sábado, 23 de julho de 2011
PEQUENA CANÇÃO PARA UMA GRANDE AUSÊNCIA
tua ausência dorme no bolso de um colete cinza-inverno
esquecido na gaveta do meu guarda-roupa
nunca usei colete e mesmo que quisesse usar
este que abriga a tua ausência não me serve mais
eu bem podia livrar-me dele
dá-lo a qualquer um desses homens que vivem na rua
ou mesmo atirá-lo ao lixo
mas se o fizesse o que seria da tua ausência?
todas as manhãs quando abro a gaveta
lá está o colete cinza-inverno
lá está a tua ausência encolhida a exigir
de mim o remorso que não sinto
sofro de gostar de sofrer
e isto é mal que dizem não tem cura
a única solução seria estrangular a memória
mas ainda assim não sei se daria certo
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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esquecido na gaveta do meu guarda-roupa
nunca usei colete e mesmo que quisesse usar
este que abriga a tua ausência não me serve mais
eu bem podia livrar-me dele
dá-lo a qualquer um desses homens que vivem na rua
ou mesmo atirá-lo ao lixo
mas se o fizesse o que seria da tua ausência?
todas as manhãs quando abro a gaveta
lá está o colete cinza-inverno
lá está a tua ausência encolhida a exigir
de mim o remorso que não sinto
sofro de gostar de sofrer
e isto é mal que dizem não tem cura
a única solução seria estrangular a memória
mas ainda assim não sei se daria certo
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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sexta-feira, 22 de julho de 2011
ORAÇÃO PARA IANSÃ EM FORMA DE POEMA
ó senhora dos raios
da tempestade dos ventos
escutai minha prece
espantai meus lamentos
ó minha linda guerreira
olhai por mim cá na terra
emprestai-me a vossa espada
e o vosso grito de guerra
ó favorita de xangô
guardai-me sou filho de fé
vou dou um leque de penas
e um prato de acarajé
ó minha oiá matamba
ó iansã epahê!
quando eu me for pra aruanda
peço-vos me receber
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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da tempestade dos ventos
escutai minha prece
espantai meus lamentos
ó minha linda guerreira
olhai por mim cá na terra
emprestai-me a vossa espada
e o vosso grito de guerra
ó favorita de xangô
guardai-me sou filho de fé
vou dou um leque de penas
e um prato de acarajé
ó minha oiá matamba
ó iansã epahê!
quando eu me for pra aruanda
peço-vos me receber
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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quinta-feira, 21 de julho de 2011
DAS ARMAS
O POETA PERDE A BATALHA MAS NÃO PERDE O POEMA
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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