tua ausência dorme no bolso de um colete cinza-inverno
esquecido na gaveta do meu guarda-roupa
nunca usei colete e mesmo que quisesse usar
este que abriga a tua ausência não me serve mais
eu bem podia livrar-me dele
dá-lo a qualquer um desses homens que vivem na rua
ou mesmo atirá-lo ao lixo
mas se o fizesse o que seria da tua ausência?
todas as manhãs quando abro a gaveta
lá está o colete cinza-inverno
lá está a tua ausência encolhida a exigir
de mim o remorso que não sinto
sofro de gostar de sofrer
e isto é mal que dizem não tem cura
a única solução seria estrangular a memória
mas ainda assim não sei se daria certo
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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sábado, 23 de julho de 2011
sexta-feira, 22 de julho de 2011
ORAÇÃO PARA IANSÃ EM FORMA DE POEMA
ó senhora dos raios
da tempestade dos ventos
escutai minha prece
espantai meus lamentos
ó minha linda guerreira
olhai por mim cá na terra
emprestai-me a vossa espada
e o vosso grito de guerra
ó favorita de xangô
guardai-me sou filho de fé
vou dou um leque de penas
e um prato de acarajé
ó minha oiá matamba
ó iansã epahê!
quando eu me for pra aruanda
peço-vos me receber
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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da tempestade dos ventos
escutai minha prece
espantai meus lamentos
ó minha linda guerreira
olhai por mim cá na terra
emprestai-me a vossa espada
e o vosso grito de guerra
ó favorita de xangô
guardai-me sou filho de fé
vou dou um leque de penas
e um prato de acarajé
ó minha oiá matamba
ó iansã epahê!
quando eu me for pra aruanda
peço-vos me receber
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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quinta-feira, 21 de julho de 2011
DAS ARMAS
O POETA PERDE A BATALHA MAS NÃO PERDE O POEMA
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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SONETO PARA OSCAR NIEMEYER
faz muito tempo te queria escrever
talvez na data do teu centenário
mas meu verso anda tão ordinário
que me coloca muito irritado ao ler
porém aqui vai sem régua e compasso
habilidade é o que mais me falta
perdoa se não sei fazer um traço
e nem minha poesia ser tão alta
aceita oscar este meu soneto
juro não vou rimar branco com preto
a dizer pouco melhor dizer nada
sou só um cantor pobre de coreto
de alma tão suja toda embriagada
a saudar-te oscar - velho CAMARADA!
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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talvez na data do teu centenário
mas meu verso anda tão ordinário
que me coloca muito irritado ao ler
porém aqui vai sem régua e compasso
habilidade é o que mais me falta
perdoa se não sei fazer um traço
e nem minha poesia ser tão alta
aceita oscar este meu soneto
juro não vou rimar branco com preto
a dizer pouco melhor dizer nada
sou só um cantor pobre de coreto
de alma tão suja toda embriagada
a saudar-te oscar - velho CAMARADA!
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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quarta-feira, 20 de julho de 2011
DIES IRAE
do meu quarto todas as noites
eu ouvia meu pai gemer as dores do câncer
era um gemido comprido comprido
que parecia não acabar nunca
era um quase canto gregoriano
era um quase ofício de trevas
naqueles dias de agonia
a casa toda tinha olhos de extrema-unção
e cada móvel e cada quadro e cada objeto
era um sacerdote antigo e magro com seu breviário em latim
sempre sempre a recitar o Dies Irae
a casa toda era o próprio Juízo Final de michelangelo
quando levaram meu pai ao hospital
apenas para cumprir o exercício de morrer
toda liturgia foi embora com ele
e a casa voltou a ter seus olhos de casa
os móveis os quadros os objetos
voltaram à natureza comum de móveis quadros objetos
só os versos do Dies Irae continuaram a martelar nos meus ouvidos
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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eu ouvia meu pai gemer as dores do câncer
era um gemido comprido comprido
que parecia não acabar nunca
era um quase canto gregoriano
era um quase ofício de trevas
naqueles dias de agonia
a casa toda tinha olhos de extrema-unção
e cada móvel e cada quadro e cada objeto
era um sacerdote antigo e magro com seu breviário em latim
sempre sempre a recitar o Dies Irae
a casa toda era o próprio Juízo Final de michelangelo
quando levaram meu pai ao hospital
apenas para cumprir o exercício de morrer
toda liturgia foi embora com ele
e a casa voltou a ter seus olhos de casa
os móveis os quadros os objetos
voltaram à natureza comum de móveis quadros objetos
só os versos do Dies Irae continuaram a martelar nos meus ouvidos
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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