quinta-feira, 21 de julho de 2011
DAS ARMAS
O POETA PERDE A BATALHA MAS NÃO PERDE O POEMA
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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SONETO PARA OSCAR NIEMEYER
faz muito tempo te queria escrever
talvez na data do teu centenário
mas meu verso anda tão ordinário
que me coloca muito irritado ao ler
porém aqui vai sem régua e compasso
habilidade é o que mais me falta
perdoa se não sei fazer um traço
e nem minha poesia ser tão alta
aceita oscar este meu soneto
juro não vou rimar branco com preto
a dizer pouco melhor dizer nada
sou só um cantor pobre de coreto
de alma tão suja toda embriagada
a saudar-te oscar - velho CAMARADA!
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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talvez na data do teu centenário
mas meu verso anda tão ordinário
que me coloca muito irritado ao ler
porém aqui vai sem régua e compasso
habilidade é o que mais me falta
perdoa se não sei fazer um traço
e nem minha poesia ser tão alta
aceita oscar este meu soneto
juro não vou rimar branco com preto
a dizer pouco melhor dizer nada
sou só um cantor pobre de coreto
de alma tão suja toda embriagada
a saudar-te oscar - velho CAMARADA!
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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quarta-feira, 20 de julho de 2011
DIES IRAE
do meu quarto todas as noites
eu ouvia meu pai gemer as dores do câncer
era um gemido comprido comprido
que parecia não acabar nunca
era um quase canto gregoriano
era um quase ofício de trevas
naqueles dias de agonia
a casa toda tinha olhos de extrema-unção
e cada móvel e cada quadro e cada objeto
era um sacerdote antigo e magro com seu breviário em latim
sempre sempre a recitar o Dies Irae
a casa toda era o próprio Juízo Final de michelangelo
quando levaram meu pai ao hospital
apenas para cumprir o exercício de morrer
toda liturgia foi embora com ele
e a casa voltou a ter seus olhos de casa
os móveis os quadros os objetos
voltaram à natureza comum de móveis quadros objetos
só os versos do Dies Irae continuaram a martelar nos meus ouvidos
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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eu ouvia meu pai gemer as dores do câncer
era um gemido comprido comprido
que parecia não acabar nunca
era um quase canto gregoriano
era um quase ofício de trevas
naqueles dias de agonia
a casa toda tinha olhos de extrema-unção
e cada móvel e cada quadro e cada objeto
era um sacerdote antigo e magro com seu breviário em latim
sempre sempre a recitar o Dies Irae
a casa toda era o próprio Juízo Final de michelangelo
quando levaram meu pai ao hospital
apenas para cumprir o exercício de morrer
toda liturgia foi embora com ele
e a casa voltou a ter seus olhos de casa
os móveis os quadros os objetos
voltaram à natureza comum de móveis quadros objetos
só os versos do Dies Irae continuaram a martelar nos meus ouvidos
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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PERIQUITO SEM ASAS
na contramão dos meus olhos
caminha uma mulher estupidamente bela
que jurou matar-me um dia
e disso não duvido - nunca duvidei
por isso evito sonhar quando ela está por perto
em sonho também se mata
em sonho também se morre
dependendo do azul que o sonho oferece
prefiro o horror do pesadelo
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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caminha uma mulher estupidamente bela
que jurou matar-me um dia
e disso não duvido - nunca duvidei
por isso evito sonhar quando ela está por perto
em sonho também se mata
em sonho também se morre
dependendo do azul que o sonho oferece
prefiro o horror do pesadelo
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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segunda-feira, 18 de julho de 2011
MINHA MORTE
minha morte me ama
minha morte me deseja
minha morte está sempre
a me esperar na esquina
com ares de puta
e braçadas de flores brancas
por isso não reclamo
do fel de cada dia que me dão
nem fujo do inimigo
que me quer à traição
e me oferece um sorriso de faca afiada
minha morte é meu escudo
minha morte é minha espada
minha morte é meu orixá
exu fêmea na encruzilhada
pronta pra me defender
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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minha morte me deseja
minha morte está sempre
a me esperar na esquina
com ares de puta
e braçadas de flores brancas
por isso não reclamo
do fel de cada dia que me dão
nem fujo do inimigo
que me quer à traição
e me oferece um sorriso de faca afiada
minha morte é meu escudo
minha morte é minha espada
minha morte é meu orixá
exu fêmea na encruzilhada
pronta pra me defender
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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