“O universal é o local sem paredes.” (Miguel Torga) "Escrever é um ato de liberdade." (Antônio Callado) "Embora nem todo filho da puta seja censor,todo censor é filho da puta." (Julio Saraiva)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

CANTOCHÃO

Ou
vós não percebestes
que os caminhos também
envelheceram?

Mas,
se não tiverdes pressa,
podereis escutar o
canto liso,
contido no breviário
das águas,
que, ao ocaso, os
barcos entoam
de memória.

__________________
Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
__________________

terça-feira, 17 de maio de 2011

ORAÇÃO PARA NÃO ESQUECER VICTOR JARA

se não me cortarem a voz juro dizer algumas palavras
se não me cortarem a voz juro dizer algumas
se não me cortarem a voz juro dizer
se não me cortarem a voz juro
se não me cortarem a voz
se não me cortarem a
se não me cortarem
se não me
se não
se

etc... etc...

_____________________
Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
____________________

AZULEJO

crio um azulejo
para dar cor ao meu poema
um azulejo qualquer
e o poema me vem exausto
como uma lâmpada que cansou de sua luz

crio um azulejo
um qualquer azulejo
que tenha a humildade clara dos teus olhos

crio um azulejo
um qualquer azulejo
que crie um azul-infinito
como o azul do teu beijo

__________

júlio

sábado, 16 de abril de 2011

EPÍGRAMA FÚNEBRE PARA UM ESCRITURÁRIO

viveu ser-
vil
entre o quin-
quênio
& a licença-
prêmio

agora
duas vezes apo-
sentado
não parte só
leva consigo
por-favor-pois-não
muito obrigado
mais a gravata
&
o paletó

___________________ 
Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
___________________ 

sexta-feira, 15 de abril de 2011

RETRATO

pareço-me comigo cada vez menos


15-04-1
 



________________
Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
________________ 

quinta-feira, 14 de abril de 2011

SONETO ATORMENTADO

navegam em mim barcos assustados
não sei de quantos naufrágios vieram
e nem como foram dar onde deram
guiados por ventos atormentados

ao leme seus capitães são fantasmas
tristes pois já não sabem mais assombrar
e têm as órbitas dos olhos pasmas
porque morrem todos de medo do mar

não bebem não fumam nem jogam cartas
suas mulheres morreram nos portos
pra que tanta não fosse a tripulação

os filhos também estão todos mortos
as histórias dantes que eram tão fartas
dormiram pra sempre em cada capitão


14-04-11
________________
Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil 
________________

POEMA QUALQUER PARA UM DIA QUALQUER

descolorir
o tempo & rasgar
as vestes
que nos tornam o corpo
prisioneiro
de antigas vergonhas

descobrir
os atalhos que nos vão
levar
ao limbo onde dormem
as coisas
sem nenhuma importância


13-04-11

__________________
Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
__________________

Compartilhe o Currupião