o olho triste do boto
deu um salto rosa-choque
a chuva se desmanchou em sombrinhas
a tarde vestiu seu melhor sorriso de noiva
a se arcoirisou ao leste do meu nariz
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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quarta-feira, 6 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
ALGUNS POEMAS DE ROSANGELA BORGES (*)
1.
o olhar verde
daquela menina
despertou em mim
o medo do holocausto
2.
um pássaro
voa
acima dos prédios
ele é todo liberdade
eu não
- ando presa no amor
3.
sapatos na vitrine
calçam
meus sonhos
4.
lágrimas de ácido desmancham
aquela boneca da Estrela
destruída dentro de mim
5.
a saudade inunda
o anoitecer da tua bunda
6.
acordou às cinco. às seis rezou no parque. às dez
enfrentou fila no banco. conformada, voltou ao apar-
tamento, conferindo o dinheiro. quieta, meteu-se em
tarefas domésticas. foi aí que se lembrou de Teresa
de Ávila - a doutora da Igreja, atormentada em suas
reflexões místicas: "Deus está presente até nas pa-
nelas..."
nas panela, ela disse consigo enquanto engolia o almoço
de quiabo com carne.
"Deus está presente até nas panelas..."
tardezinha, escutou confissões atormentadas, deu conse-
lhos. profanou. sentiu vontade de rezar, como de manhã.
mas não voltou ao velho Livro de Horas, cheio de culpas
e arrependimentos, que jazia sobre o criado-mudo.
quis rezar, sim. por isso, foi à estante e apanhou Garcia
Márquez, o seu anjo Gabriel. bebeu frases, imagens, sen-
tiu comichões na alma e compreendeu pela primeira vez a
rigidez da vida extramuros.
_____________________________________
Rosangela Borges,
São Paulo, Brasil, é antropóloga, jornalista e es-
critora. Publicou os livros Axé, Madona Achiropi-
ta - A Presença dos Cultos Afrobrasileiros nas Ce-
lebraçõesCatólicas na Igreja Nossa Senhora Achiropi-
ta (disssertação de mestrado em Ciências da Religião);
Quem Quer Teclar Comigo - Adolescendo na Inter-
net (novela infanto-juvenil ) e O Guardião dos Ven-
tos (poemas). Rosangela vive atualmente em Portugal,
fazendo pós-doutorado na Universidade de Coimbra.
o olhar verde
daquela menina
despertou em mim
o medo do holocausto
2.
um pássaro
voa
acima dos prédios
ele é todo liberdade
eu não
- ando presa no amor
3.
sapatos na vitrine
calçam
meus sonhos
4.
lágrimas de ácido desmancham
aquela boneca da Estrela
destruída dentro de mim
5.
a saudade inunda
o anoitecer da tua bunda
6.
acordou às cinco. às seis rezou no parque. às dez
enfrentou fila no banco. conformada, voltou ao apar-
tamento, conferindo o dinheiro. quieta, meteu-se em
tarefas domésticas. foi aí que se lembrou de Teresa
de Ávila - a doutora da Igreja, atormentada em suas
reflexões místicas: "Deus está presente até nas pa-
nelas..."
nas panela, ela disse consigo enquanto engolia o almoço
de quiabo com carne.
"Deus está presente até nas panelas..."
tardezinha, escutou confissões atormentadas, deu conse-
lhos. profanou. sentiu vontade de rezar, como de manhã.
mas não voltou ao velho Livro de Horas, cheio de culpas
e arrependimentos, que jazia sobre o criado-mudo.
quis rezar, sim. por isso, foi à estante e apanhou Garcia
Márquez, o seu anjo Gabriel. bebeu frases, imagens, sen-
tiu comichões na alma e compreendeu pela primeira vez a
rigidez da vida extramuros.
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Rosangela Borges,
São Paulo, Brasil, é antropóloga, jornalista e es-
critora. Publicou os livros Axé, Madona Achiropi-
ta - A Presença dos Cultos Afrobrasileiros nas Ce-
lebraçõesCatólicas na Igreja Nossa Senhora Achiropi-
ta (disssertação de mestrado em Ciências da Religião);
Quem Quer Teclar Comigo - Adolescendo na Inter-
net (novela infanto-juvenil ) e O Guardião dos Ven-
tos (poemas). Rosangela vive atualmente em Portugal,
fazendo pós-doutorado na Universidade de Coimbra.
sábado, 26 de março de 2011
BALADA DE KARLA MARIA
não é o sol da hora
do sol do meio-dia
é o sol que me devora
e que me faz poesia
é o sol do meu querer
é o sol do não-queria
é o sol que me adivinha
teu sol karla maria
é o sol do vaticano
que o papa nem sabia
é o sol das seis da tarde
quando bate a ave-maria
é o sol do meu querer
quando na tábua do querer
querer não mais se lia
é a pedra de drummond
que tinha ou havia
é o sol dentro do sol
teu sol karla maria
é a menina da janela
fazendo estrepolia
não sendo mais donzela
fez enganar o dia
me ensinando amar
quando amar eu não sabia
e a me tomar louco
quando em louco
eu todo me perdia
fez o meu ir-não-ir
quando eu não mais podia
mas sem poder enfim
me escondi de mim
em teu sol karla maria
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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do sol do meio-dia
é o sol que me devora
e que me faz poesia
é o sol do meu querer
é o sol do não-queria
é o sol que me adivinha
teu sol karla maria
é o sol do vaticano
que o papa nem sabia
é o sol das seis da tarde
quando bate a ave-maria
é o sol do meu querer
quando na tábua do querer
querer não mais se lia
é a pedra de drummond
que tinha ou havia
é o sol dentro do sol
teu sol karla maria
é a menina da janela
fazendo estrepolia
não sendo mais donzela
fez enganar o dia
me ensinando amar
quando amar eu não sabia
e a me tomar louco
quando em louco
eu todo me perdia
fez o meu ir-não-ir
quando eu não mais podia
mas sem poder enfim
me escondi de mim
em teu sol karla maria
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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MODINHA OU NO CAMINHO DE DRUMMOND
Para Lucinha e Geraldo
eu queimei o tempo
como quem brinca de roda
como quem atira pedras
no telhado do vizinho
eu queimei o tempo
eu me afoguei na lua
astronauta sem vocação
fui procurar são jorge
só encontrei o dragão
eu me afoguei na lua
eu dancei com a dama de paus
num baile de debutantes
mas antes do fim do baile
a dama desencantou
eu dancei com a dama de paus
eu fui poeta aos vinte anos
quando todo mundo é poeta
pensava um sorriso de moça
e a poesia me vinha no ar
eu fui poeta aos vinte anos
eu queimei o tempo
eu me afoguei na lua
eu dancei com a dama de paus
eu fui e fiz tanta coisa meu deus
que hoje me dá pena lembrar
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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eu queimei o tempo
como quem brinca de roda
como quem atira pedras
no telhado do vizinho
eu queimei o tempo
eu me afoguei na lua
astronauta sem vocação
fui procurar são jorge
só encontrei o dragão
eu me afoguei na lua
eu dancei com a dama de paus
num baile de debutantes
mas antes do fim do baile
a dama desencantou
eu dancei com a dama de paus
eu fui poeta aos vinte anos
quando todo mundo é poeta
pensava um sorriso de moça
e a poesia me vinha no ar
eu fui poeta aos vinte anos
eu queimei o tempo
eu me afoguei na lua
eu dancei com a dama de paus
eu fui e fiz tanta coisa meu deus
que hoje me dá pena lembrar
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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quinta-feira, 24 de março de 2011
À QUEIMA ROUPA
Para Léo Feltran
deixei de acreditar no circo
quando me contaram que a trapezista
assassinou o palhaço
com um olhar fulminante
no peito
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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deixei de acreditar no circo
quando me contaram que a trapezista
assassinou o palhaço
com um olhar fulminante
no peito
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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SEM LUVAS DE PELICA
Para Kryca Ohana, poeta e agitadora cultural - com afeto
somos de uma geração estranha
que sofria do vício de pensar
tudo era questão de ordem
foder também era um ato político
marx & sartre estavam sempre
presentes no intervalo de uma trepada
mas convenhamos
: che guevara & leila diniz
mesmo depois de mortos foram responsáveis
pelo final de muito caso de amor
tanto que o retrato de guevara feito a carvão
que tenho na parede da sala
me incomoda até hoje
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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somos de uma geração estranha
que sofria do vício de pensar
tudo era questão de ordem
foder também era um ato político
marx & sartre estavam sempre
presentes no intervalo de uma trepada
mas convenhamos
: che guevara & leila diniz
mesmo depois de mortos foram responsáveis
pelo final de muito caso de amor
tanto que o retrato de guevara feito a carvão
que tenho na parede da sala
me incomoda até hoje
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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sábado, 19 de março de 2011
METAPHYSICA
o ápice
o eclipse
o lápis
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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o eclipse
o lápis
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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