“O universal é o local sem paredes.” (Miguel Torga) "Escrever é um ato de liberdade." (Antônio Callado) "Embora nem todo filho da puta seja censor,todo censor é filho da puta." (Julio Saraiva)

quarta-feira, 9 de março de 2011

3 POEMAS

PIQUE

no faz-de-conta
eu era um conde
brincando comigo
de esconde-esconde

*  *  *

EDUCAÇÃO SEXUAL

trepar de luz
apagada
é foda

*  *  *

ANÚNCIO (DES)CLASSIFICADO

procuro um amor
que me fale besteiras
no claro e no escuro
eis o amor que quero
não precisa ser puro
muito menos sincero

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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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segunda-feira, 7 de março de 2011

ELEGIA DE CORPO PRESENTE

o guarda-chuva
                       jaz em suas
varetas


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Júlio Saraiva,

São Paulo, Brasil
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

FÁBRICA FECHADA

           
             
             barulhos quietos
              
               martelando sempre
    
               sempre na mesma tecla

               silêncio irritado

               
                HOMENS MORTOS TRABALHANDO


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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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CONSTRUÇÃO

              amálgama

              alma alma
      
              alfagama

              alfama

              alfômega

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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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domingo, 13 de fevereiro de 2011

EPÍLOGO

                                
                             a pá      o pó

                       enfim

                          só

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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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sábado, 12 de fevereiro de 2011

DECLARAÇÃO DE DESAMOR

"Se algum dia lhe perguntarem sobre coisas do coração,
você pode dizer: sim, tem um filho da puta que me ama."

- Wander Piroli -

esconjuro-te
&
juro
pelos mais sagrados nós das
minhas tripas
desamar-te para sempre
ainda que surpreenda
minha sombra
perdida
no meio da noite
atirando maçãs (*)
aos pés
da tua imunda
lembrança

(*) De acordo com o poeta José Paulo Paes, que foi exímio tradutor de poesia
grega, um homem atirar uma maçã aos pés da amada, na Grécia antiga, cor-
respondia a uma das significativas declarações de amor.

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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

OUTRO SONETO DO CADERNO DE KARLA


 Ai, minha amada me perdoa
Pois embora ainda te doa
A tristeza que causei:
Eu te suplico, não destruas
Tantas coisas que são tuas
Por um mal que já paguei."

Da canção Apelo,
do poeta Vinícius de Moraes,
com melodia do violonista Baden Powell


quando te ponho na cama de bruço
depois de olhar teus olhos de princesa
e de vez espantar toda a tristeza
e ir-me toda a dor em teu soluço

sou menino de novo a cada orgasmo
amo-te tanto... perco a minha vida
nesta paixão tão cega e desmedida
e sem querer assim vejo-me pasmo

esqueço as tropelias do caminho
desta minha vida tão desregrada
porque vejo-te rosa nunca espinho

mulher amante mãe e namorada
e eu que era louco e tão sozinho
ponho-me a teus pés ó sempre amada

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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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Voz de: eduardo roseira
Imagem de: Lenço de Namorado na região do Minho/Portugal (coleção de eduardo roseira)

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