“O universal é o local sem paredes.” (Miguel Torga) "Escrever é um ato de liberdade." (Antônio Callado) "Embora nem todo filho da puta seja censor,todo censor é filho da puta." (Julio Saraiva)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

DECLARAÇÃO DE DESAMOR

"Se algum dia lhe perguntarem sobre coisas do coração,
você pode dizer: sim, tem um filho da puta que me ama."

- Wander Piroli -

esconjuro-te
&
juro
pelos mais sagrados nós das
minhas tripas
desamar-te para sempre
ainda que surpreenda
minha sombra
perdida
no meio da noite
atirando maçãs (*)
aos pés
da tua imunda
lembrança

(*) De acordo com o poeta José Paulo Paes, que foi exímio tradutor de poesia
grega, um homem atirar uma maçã aos pés da amada, na Grécia antiga, cor-
respondia a uma das significativas declarações de amor.

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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

OUTRO SONETO DO CADERNO DE KARLA


 Ai, minha amada me perdoa
Pois embora ainda te doa
A tristeza que causei:
Eu te suplico, não destruas
Tantas coisas que são tuas
Por um mal que já paguei."

Da canção Apelo,
do poeta Vinícius de Moraes,
com melodia do violonista Baden Powell


quando te ponho na cama de bruço
depois de olhar teus olhos de princesa
e de vez espantar toda a tristeza
e ir-me toda a dor em teu soluço

sou menino de novo a cada orgasmo
amo-te tanto... perco a minha vida
nesta paixão tão cega e desmedida
e sem querer assim vejo-me pasmo

esqueço as tropelias do caminho
desta minha vida tão desregrada
porque vejo-te rosa nunca espinho

mulher amante mãe e namorada
e eu que era louco e tão sozinho
ponho-me a teus pés ó sempre amada

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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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Voz de: eduardo roseira
Imagem de: Lenço de Namorado na região do Minho/Portugal (coleção de eduardo roseira)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

"(parte-)Chão,"













(aqui.)








estaca.
(letrada)sempre-cravada
estaca.


da ata por mapa de ti em linha não-aceita
(palavra.)
à ponta dos casos que se perdem
à lua inteira. caída. e.
aqui..


ruas.
pertencidas, pois de curvas
às rodas tardias por um deslize rompido de contas
e
o
asfalto se torna..
quimera-margem de erro e forma
listagens de cenas(de antes)
cenas servis
à mente
(ao instante)
que trabalha no minuto que precede este fim

tempo. mero-prevenido por busca
por
alivio de ar em. fuga
à
consumida lareira(dos olhos, e) de dor
(treva-névoa,)
parte.
queda-rompida. em.
espaço
(tarde)


ou.palco,


em
algo. 
em
lado que re-parte
à mente
que te vê um pouco(e) mais
e


imagem, tua, última, e.
sendo
à letra morta (e)que te jaz.








(aqui.)


























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(Alex Moraes)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

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a paixão distrai
o amor destrói

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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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POEMA A OLHO NU

teu olho nu
ilude o poema

(iludes as palavras
:estrelas presas
na lente do telescópio
que não tens)

navegas
por turbulentos mares
de vírgulas
exclamações te ufanam
interrogações te protegem
como um exército
armado de dúvidas brancas

que importa
a hora
no relógio
do antigo mosteiro
se dentro
deste teu olho nu
o tempo deixou
de existir?

(que importa o tempo?)

a sarjeta descobre-te
a sarjeta deseja-te

melhor assim
:olho por olho
elas por elas

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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

ELEGIA PARA UM CERTO JÚLIO SARAIVA

aspiro o pó branco dos meus dias
organizo a festa para depois de amanhã
num baile de máscaras dancei com a morte
a lua cheia me salvou
minha loucura meu bem é quase santa
por isso estou sempre rezando
tenho palavras de missa na ponta da língua
enquanto deus dorme estou rezando

aspiro o pó branco dos meus dias
sou o meu pior inimigo
firo-me todos os dias com o punhal que trago nos olhos
depois vou dormir tranquilo
certo do dever cumprido

aspiro o pó branco dos meus dias
o poeta que fui aos 20 anos morreu
numa noite de mil novecentos e qualquer coisa
envenenado de soneto
nos braços de uma mulher que nunca existiu

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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

MAIS UM TRAGO


Sentei no bar,
Bebendo o dia
Sem sabedoria.

Todas as segundas
São feitas de nada.
O recomeço insensível
Da utopia.
O vazio do copo cheio
De solução.

Bebi,
Brindei
Comigo mesma
O fracasso.

O passo infame
Para dentro da garrafa.
A agonia que não passa pelo
Gargalo e engasga na
Garganta seca de amor,
De coisas que esqueço
Naturalmente por desuso
E falta de emoção.

Toda segunda-feira
É um estrondo no ouvido,
Uma bomba implodindo.
Estilhaço num riso sem amanhã.
Escrevo algo no guardanapo.
Tomo mais um trago.

Quem vai pagar a conta
Dessa dor?

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Karla Bardanza
Rio de Janeiro, Brasil
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