“O universal é o local sem paredes.” (Miguel Torga) "Escrever é um ato de liberdade." (Antônio Callado) "Embora nem todo filho da puta seja censor,todo censor é filho da puta." (Julio Saraiva)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

"(parte-)Chão,"













(aqui.)








estaca.
(letrada)sempre-cravada
estaca.


da ata por mapa de ti em linha não-aceita
(palavra.)
à ponta dos casos que se perdem
à lua inteira. caída. e.
aqui..


ruas.
pertencidas, pois de curvas
às rodas tardias por um deslize rompido de contas
e
o
asfalto se torna..
quimera-margem de erro e forma
listagens de cenas(de antes)
cenas servis
à mente
(ao instante)
que trabalha no minuto que precede este fim

tempo. mero-prevenido por busca
por
alivio de ar em. fuga
à
consumida lareira(dos olhos, e) de dor
(treva-névoa,)
parte.
queda-rompida. em.
espaço
(tarde)


ou.palco,


em
algo. 
em
lado que re-parte
à mente
que te vê um pouco(e) mais
e


imagem, tua, última, e.
sendo
à letra morta (e)que te jaz.








(aqui.)


























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(Alex Moraes)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

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a paixão distrai
o amor destrói

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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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POEMA A OLHO NU

teu olho nu
ilude o poema

(iludes as palavras
:estrelas presas
na lente do telescópio
que não tens)

navegas
por turbulentos mares
de vírgulas
exclamações te ufanam
interrogações te protegem
como um exército
armado de dúvidas brancas

que importa
a hora
no relógio
do antigo mosteiro
se dentro
deste teu olho nu
o tempo deixou
de existir?

(que importa o tempo?)

a sarjeta descobre-te
a sarjeta deseja-te

melhor assim
:olho por olho
elas por elas

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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

ELEGIA PARA UM CERTO JÚLIO SARAIVA

aspiro o pó branco dos meus dias
organizo a festa para depois de amanhã
num baile de máscaras dancei com a morte
a lua cheia me salvou
minha loucura meu bem é quase santa
por isso estou sempre rezando
tenho palavras de missa na ponta da língua
enquanto deus dorme estou rezando

aspiro o pó branco dos meus dias
sou o meu pior inimigo
firo-me todos os dias com o punhal que trago nos olhos
depois vou dormir tranquilo
certo do dever cumprido

aspiro o pó branco dos meus dias
o poeta que fui aos 20 anos morreu
numa noite de mil novecentos e qualquer coisa
envenenado de soneto
nos braços de uma mulher que nunca existiu

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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

MAIS UM TRAGO


Sentei no bar,
Bebendo o dia
Sem sabedoria.

Todas as segundas
São feitas de nada.
O recomeço insensível
Da utopia.
O vazio do copo cheio
De solução.

Bebi,
Brindei
Comigo mesma
O fracasso.

O passo infame
Para dentro da garrafa.
A agonia que não passa pelo
Gargalo e engasga na
Garganta seca de amor,
De coisas que esqueço
Naturalmente por desuso
E falta de emoção.

Toda segunda-feira
É um estrondo no ouvido,
Uma bomba implodindo.
Estilhaço num riso sem amanhã.
Escrevo algo no guardanapo.
Tomo mais um trago.

Quem vai pagar a conta
Dessa dor?

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Karla Bardanza
Rio de Janeiro, Brasil
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CRIME PERFEITO

Para Sônia

tua boneca de
louça
foi morta por
estrangulamento
no porão da casa
velha

- lembras-te?

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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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domingo, 16 de janeiro de 2011

CONSTATAÇÃO EM PRETO & BRANCO

a chuva
apagou nosso último
retrato

os outros
já tinham sido destruídos
antes mesmo de nos
conhecermos

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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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