vinte anos depois da minha morte
quando o pó do meu pó
já estiver desfeito
e ninguém pronunciar meu nome
uma criança que nunca soube da minha
existência se lembrará de mim
mas a lembrança será breve
como o sorriso breve
nos lábios de uma criança
que logo se cansou do brinquedo
e sendo assim logo ela esquecerá
que se lembrou de mim
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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sábado, 15 de janeiro de 2011
ANA BOTAFOGO
pernas param no ar
como delicado par de asas
gestos constroem azuis a cada
movimento do corpo leve
fino cristal
onde tudo é voo graça encantamento
os passos de ana botafogo desenham
arcos no infinito
como se desenhassem o mundo
com as pontas dos pés
o tempo esqueceu de passar
para aplaudir a bailarina
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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como delicado par de asas
gestos constroem azuis a cada
movimento do corpo leve
fino cristal
onde tudo é voo graça encantamento
os passos de ana botafogo desenham
arcos no infinito
como se desenhassem o mundo
com as pontas dos pés
o tempo esqueceu de passar
para aplaudir a bailarina
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
PEQUENO TRATADO DE COMÉRCIO
Trocam o santo e a senha
cortesias e louvores
sobretudo o que mantenha
o comércio de favores
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Domingos da Mota,
Vila Nova de Gaia, Portugal
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cortesias e louvores
sobretudo o que mantenha
o comércio de favores
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Domingos da Mota,
Vila Nova de Gaia, Portugal
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AUTO-ESTIMA
Para Ricardo Soares, meu amigo - consagro
"Minha filosofia traz o pensamento vitorioso com o qual
toda outra maneira de pensar acabará por sucumbir."
- Nietzsche, O Eterno Retorno -
o poeta só fabrica o céu porque
conhece o inferno mais do que
a palma da própria mão
o poema é pomba mas pode
tornar-se bomba e explodir de
repente isso só depende da
maneira como a flor for tratada
transformar ouro em merda não
deixa de ser uma arte preciosa
assim como imaginar o arcanjo gabriel
trepando com a virgem maria no
momento da anunciação
felizmente não tenho ninguém a rezar por mim
esqueci meu credo em velhos confessionários
o poeta jamais será um pecador
:não comete pecado quem peca contra
si próprio sem no entanto trair-se
a poesia absolve o poeta da mesma
forma que o condena e mata para
torná-lo à vida no colo de uma mulher
puta ou santa pouco importa
o poeta dorme acordado para a morte
e quando pensar que escreveu seu último
poema terá concluído apenas o rascunho
do que foi sua vida sem saber que
o poema em doses lentas de palavras
já o havia destruído no exato
dia em que pensou compor seu primeiro verso
se assim não falou zaratustra
não falou porque não quis mas
assim falei eu e está dito e falado com
o enxofre das minhas palavras
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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"Minha filosofia traz o pensamento vitorioso com o qual
toda outra maneira de pensar acabará por sucumbir."
- Nietzsche, O Eterno Retorno -
o poeta só fabrica o céu porque
conhece o inferno mais do que
a palma da própria mão
o poema é pomba mas pode
tornar-se bomba e explodir de
repente isso só depende da
maneira como a flor for tratada
transformar ouro em merda não
deixa de ser uma arte preciosa
assim como imaginar o arcanjo gabriel
trepando com a virgem maria no
momento da anunciação
felizmente não tenho ninguém a rezar por mim
esqueci meu credo em velhos confessionários
o poeta jamais será um pecador
:não comete pecado quem peca contra
si próprio sem no entanto trair-se
a poesia absolve o poeta da mesma
forma que o condena e mata para
torná-lo à vida no colo de uma mulher
puta ou santa pouco importa
o poeta dorme acordado para a morte
e quando pensar que escreveu seu último
poema terá concluído apenas o rascunho
do que foi sua vida sem saber que
o poema em doses lentas de palavras
já o havia destruído no exato
dia em que pensou compor seu primeiro verso
se assim não falou zaratustra
não falou porque não quis mas
assim falei eu e está dito e falado com
o enxofre das minhas palavras
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
O POETA É AQUELE BICHO...
o poeta é aquele bicho perdido
de si próprio sobrevive acuado
peca pois já nasceu arrependido
do pecado sem conhecer pecado
por tanto amar acaba desamado
e o pranto que lhe cai vem encardido
porque sempre o apanham desarmado
o que lhe torna a vida sem sentido
ao despencar nos braços da poesia
prática que requer isolamento
vira criança sem discernimento
manda a escanteio toda teoria
e põe-se a mastigar seu excremento
como se fosse a mais fina iguaria
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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de si próprio sobrevive acuado
peca pois já nasceu arrependido
do pecado sem conhecer pecado
por tanto amar acaba desamado
e o pranto que lhe cai vem encardido
porque sempre o apanham desarmado
o que lhe torna a vida sem sentido
ao despencar nos braços da poesia
prática que requer isolamento
vira criança sem discernimento
manda a escanteio toda teoria
e põe-se a mastigar seu excremento
como se fosse a mais fina iguaria
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011
OLHANDO PARA O PRÓPRIO UMBIGO
Desanimada,
Desapontada,
Olhando pro umbigo,
Esparramada no self.
Contando as ovelhinhas
Minhas de cada dia.
Lambendo o ego
Nego o eu,
E se sou eu aqui,
Quem colocou
Isso
Dentro
Isso
O corpo contra o corpo,
A pele arreganhada,
O nada tem gosto,
(Eu) gosto
Do beijo
Pensado durante
A música da Siouxsie.
Podia ser
Podia ter
Um orgasmo agorinha
Com você
É oceano
E (des)espero.
Desapontada,
Inesperada,
Todos os adjetivos
Terminados em ada
E mais nada
E mais nada
E quase tudo
É mais
Um absurdo.
____________________
Karla Bardanza
Rio de Janeiro, Brasil
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Desapontada,
Olhando pro umbigo,
Esparramada no self.
Contando as ovelhinhas
Minhas de cada dia.
Lambendo o ego
Nego o eu,
E se sou eu aqui,
Quem colocou
Isso
Dentro
Isso
O corpo contra o corpo,
A pele arreganhada,
O nada tem gosto,
(Eu) gosto
Do beijo
Pensado durante
A música da Siouxsie.
Podia ser
Podia ter
Um orgasmo agorinha
Com você
É oceano
E (des)espero.
Desapontada,
Inesperada,
Todos os adjetivos
Terminados em ada
E mais nada
E mais nada
E quase tudo
É mais
Um absurdo.
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Karla Bardanza
Rio de Janeiro, Brasil
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CHÃO SEM FUNDO
Nada muda
Nada
A porta absurda
Trancada está
E nem fechadura
Tem.
Abro a janela
E estou emparedada.
Tijolos ao redor
E nada mais.
Se estou só?
Ouço apenas
A minha voz:
Eco sem vibração.
Comida fria,
Apenas água na geladeira
E essa dor e essa febre
Ardendo tanto a minha
Língua, íngua.
Não consigo me mover.
Pelo lado de dentro
Te reflito: aflito espelho
Que não me olha nos
Olhos.
A gaveta aberta
Está atulhada de você,
De palavras que morrem
E nunca morreram,
De desespero,
De vontades,
De tudo
Que
Cai
De
Mim
Quando
Não consigo
Fechar os braços
E te segurar
Dentro do meu corpo.
Afundo no
Sofá rasgado,
Nas almofadas
Sem cor, na casa
Sem paz.
Afundo no chão
Sem fundo,
Afundo
No amor.
Karla Bardanza
Rio de Janeiro, Brasil
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