na surdina
o luar
masca o mar
de
madagascar
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010
sábado, 18 de dezembro de 2010
PEQUENA HISTÓRIA DE UM NATAL URBANO
na antevéspera do natal
durante uma batida da polícia
no centro velho de sampa
o menino jesus foi preso
fumando uma pedra de crack
- sabe com quem tá falando?!
vociferou o menino jesus
- sou o filho de deus
o policial se riu
e aplicou um tapa
no rosto encardido
do menino jesus
e mesmo ele sendo menino
meteu-lhe as algemas nos pulsos
- sou o filho de deus
repetiu o menino jesus
na delegacia
o delegado estava bêbado
e ficou furioso
e mesmo sendo um menino
o delegado mandou
que trancassem o menino jesus
numa cela comum
com presos adultos & perigosos
os presos adultos & perigosos
curraram o menino jesus
mesmo ele se dizendo filho de deus
na noite seguinte
para desespero de seus pais
maria & josé - ele carpinteiro desempregado
o menino jesus
não apareceu para a missa do galo
onde devia nascer de novo
o anjo não pode abrir a faixa
onde se lia
"Glória in excélsis Deo"
o menino jesus também
não compareceu à ceia
organizada pela comunidade da
favela heliópolis
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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durante uma batida da polícia
no centro velho de sampa
o menino jesus foi preso
fumando uma pedra de crack
- sabe com quem tá falando?!
vociferou o menino jesus
- sou o filho de deus
o policial se riu
e aplicou um tapa
no rosto encardido
do menino jesus
e mesmo ele sendo menino
meteu-lhe as algemas nos pulsos
- sou o filho de deus
repetiu o menino jesus
na delegacia
o delegado estava bêbado
e ficou furioso
e mesmo sendo um menino
o delegado mandou
que trancassem o menino jesus
numa cela comum
com presos adultos & perigosos
os presos adultos & perigosos
curraram o menino jesus
mesmo ele se dizendo filho de deus
na noite seguinte
para desespero de seus pais
maria & josé - ele carpinteiro desempregado
o menino jesus
não apareceu para a missa do galo
onde devia nascer de novo
o anjo não pode abrir a faixa
onde se lia
"Glória in excélsis Deo"
o menino jesus também
não compareceu à ceia
organizada pela comunidade da
favela heliópolis
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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ESTE PRAZER É APENAS DELES DOIS
este prazer
é apenas deles dois
quando ela tira todos
os mistérios da boca
e é tão maçã para ele
comer.
este prazer é
deste macho e desta
fêmea toda vez que ele
escreve no corpo
dela a poesia
que o desejo
bordou no
lençol cheio
de vozes.
este prazer
sou eu morrendo
(agoraesempre)
de manhã
com você.
__________________________
Karla Bardanza
Rio de Janeiro, Brasil
é apenas deles dois
quando ela tira todos
os mistérios da boca
e é tão maçã para ele
comer.
este prazer é
deste macho e desta
fêmea toda vez que ele
escreve no corpo
dela a poesia
que o desejo
bordou no
lençol cheio
de vozes.
este prazer
sou eu morrendo
(agoraesempre)
de manhã
com você.
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Karla Bardanza
Rio de Janeiro, Brasil
INSATISFAÇÃO
O poeta sente as palavras ou frases como coisas e não como sinais, e a sua obra como um fim e não como um meio; como uma arma de combate."
Jean-Paul Sartre
A munição não é apenas balas e bombas.
Disparo palavras a esmo, combato a mim mesma
numa luta insana. Todo dia, enfio a faca
no peito para sangrar poemas e sentir
as coisas que permanecem imutáveis.
O efeito é mais do que estético:
a dor é catártica, é necessária.
E quando tudo termina, olho o papel
insatisfeita, procurando a melhor metáfora,
a emoção singular das letras,
e nunca consigo ser poeta.
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Karla Bardanza,
Rio de Janeiro, Brasil
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Jean-Paul Sartre
A munição não é apenas balas e bombas.
Disparo palavras a esmo, combato a mim mesma
numa luta insana. Todo dia, enfio a faca
no peito para sangrar poemas e sentir
as coisas que permanecem imutáveis.
O efeito é mais do que estético:
a dor é catártica, é necessária.
E quando tudo termina, olho o papel
insatisfeita, procurando a melhor metáfora,
a emoção singular das letras,
e nunca consigo ser poeta.
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Karla Bardanza,
Rio de Janeiro, Brasil
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ADVENTO
Antecipo-me à morte anunciada
Num advento omisso de natais
É só o reflexo da minha fé cansada
De blasfémias de tantos carnavais
É farto o perú de tantos recheios
Na consoada rica e enfeitada
Lá fora uns olhos comem cheiros
que exalam da chaminé dos telhados
E há muita fome enquanto reza a missa
E o galo canta as 24 badaladas
O olhar triste da freira clarissa
A contrastar com a igreja engalanada
Não há menino num berço de palha
Mas há meus senhores...
Muita pobreza envergonhada!
____________________________
Maria Fernanda Reis Esteves,
Setúbal, Portugal
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Num advento omisso de natais
É só o reflexo da minha fé cansada
De blasfémias de tantos carnavais
É farto o perú de tantos recheios
Na consoada rica e enfeitada
Lá fora uns olhos comem cheiros
que exalam da chaminé dos telhados
E há muita fome enquanto reza a missa
E o galo canta as 24 badaladas
O olhar triste da freira clarissa
A contrastar com a igreja engalanada
Não há menino num berço de palha
Mas há meus senhores...
Muita pobreza envergonhada!
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Maria Fernanda Reis Esteves,
Setúbal, Portugal
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DIÁRIO DE BORDO
1.
nada sei de ventos
nunca viajei de navio
meus naufrágios todos
foram sempre em
terra firme
2.
este nó de marinheiro
dentro do meu peito
que a cada dia me sufoca mais
já nasceu comigo
por isso
nunca vou conseguir
desatá-lo
3.
desejo
navegar até
que os ventos
se cansem
4.
marinheiro sem mar
divirto-me
preparando tempestades
para
a última viagem
5.
agora é tarde
meu navio não tem
mais volta
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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nada sei de ventos
nunca viajei de navio
meus naufrágios todos
foram sempre em
terra firme
2.
este nó de marinheiro
dentro do meu peito
que a cada dia me sufoca mais
já nasceu comigo
por isso
nunca vou conseguir
desatá-lo
3.
desejo
navegar até
que os ventos
se cansem
4.
marinheiro sem mar
divirto-me
preparando tempestades
para
a última viagem
5.
agora é tarde
meu navio não tem
mais volta
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
QUADRAS ESCRITAS NO BAR NUM DIA DE CHUVA
cantiga do meu silêncio
fumaça do meu cigarro
augusto dos anjos disse
:beijo véspera do escarro
****
ao concluir seu moisés
michelangelo gritou: -parla!
eu metendo as mãos pelos pés
em silêncio grito: - karla!
****
meu bem a mal não me leve
meu bem não me leve a mal
que a vida é muito breve
só bebo depois do natal
****
passo horas viajando
países num velho mapa
e assim amor vou levando
a minha vida no tapa
****
upa upa upa upa
upa upa cavalinho
um fantasma na garupa
um defunto no caminho
****
beijei a moça no muro
bem-te-vi cantou que me viu
ah bem-te-vi dedo-duro
vai pra pura que te pariu!
****
de mim tenho muito orgulho
também faço muito gosto
diabo me chamo júlio
mas fui nascer em agosto
****
beija-flor discutia
com um filhote de anu
ambos queriam saber
se borboleta tem cu
****
era uma vez uma moça
que contrariou iemanjá
depois de cortar os cabelos
virou espuma do mar
****
-meu reino por uma virgem!
ingênuo o reizinho bradou
perdeu o reino e a coroa
porque nenhuma encontrou
****
pois assim foi que drummond
morreu como passarinho
mas eternizou a pedra
bem no meio do caminho
****
estas quadras pobres quadras
umas até bem sem graça
todas elas foram feitas
sob efeito da cachaça
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Júlio Saraiva,
São Paulo,Brasil
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fumaça do meu cigarro
augusto dos anjos disse
:beijo véspera do escarro
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ao concluir seu moisés
michelangelo gritou: -parla!
eu metendo as mãos pelos pés
em silêncio grito: - karla!
****
meu bem a mal não me leve
meu bem não me leve a mal
que a vida é muito breve
só bebo depois do natal
****
passo horas viajando
países num velho mapa
e assim amor vou levando
a minha vida no tapa
****
upa upa upa upa
upa upa cavalinho
um fantasma na garupa
um defunto no caminho
****
beijei a moça no muro
bem-te-vi cantou que me viu
ah bem-te-vi dedo-duro
vai pra pura que te pariu!
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de mim tenho muito orgulho
também faço muito gosto
diabo me chamo júlio
mas fui nascer em agosto
****
beija-flor discutia
com um filhote de anu
ambos queriam saber
se borboleta tem cu
****
era uma vez uma moça
que contrariou iemanjá
depois de cortar os cabelos
virou espuma do mar
****
-meu reino por uma virgem!
ingênuo o reizinho bradou
perdeu o reino e a coroa
porque nenhuma encontrou
****
pois assim foi que drummond
morreu como passarinho
mas eternizou a pedra
bem no meio do caminho
****
estas quadras pobres quadras
umas até bem sem graça
todas elas foram feitas
sob efeito da cachaça
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Júlio Saraiva,
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